A Aragem

Inverno e Primavera
Transporto a sinfonia
Da Dor e da Alegria
Aos ângulos da esfera


Sou eco da Quimera
Em noites de poesia,
Quando a Melancolia
Nos corações impera.


Tão ágil que nem páro
Tão leve que nem pouso,
Sempre que me comparo


Ao teu fatal repouso
Julgo-te, ó ser preclaro,
Um Tântalo orgulhoso.

As Borboletas

Em aras de verbenas
Onde diz missa o Sol,
E à tarde o rouxinol
Modula as suas penas,


Vimos pousar, apenas
Desperta o arrebol,
E o áureo girassol
Se ostenta em galas plenas.


Dá-nos banquete a folha,
E um tronco nos dá casa
Em qualquer sítio, à escolha...


E a ti, que o Génio abrasa
E o Não jamais se antolha
Negou-te Deus a asa!

Os Perfumes

Almas da pura flora,
Incensos de Judá,
Ninguém nos roubará
Ao toucador da Aurora.


Na terra ingrata chora
A for do resedá,
Que o vento esfolhará;
Mas nós, livres agora,


Semeamos neste espaço
Atómicos perfumes,
Que em misterioso laço


Caem no altar dos Numes...
E tu, cérebro e braço
Na podridão resumes.