Inverno e Primavera
Transporto a sinfonia
Da Dor e da Alegria
Aos ângulos da esfera
Sou eco da Quimera
Em noites de poesia,
Quando a Melancolia
Nos corações impera.
Tão ágil que nem páro
Tão leve que nem pouso,
Sempre que me comparo
Ao teu fatal repouso
Julgo-te, ó ser preclaro,
Um Tântalo orgulhoso.
Angelina Vidal
As Borboletas
Em aras de verbenas
Onde diz missa o Sol,
E à tarde o rouxinol
Modula as suas penas,
Vimos pousar, apenas
Desperta o arrebol,
E o áureo girassol
Se ostenta em galas plenas.
Dá-nos banquete a folha,
E um tronco nos dá casa
Em qualquer sítio, à escolha...
E a ti, que o Génio abrasa
E o Não jamais se antolha
Negou-te Deus a asa!
Onde diz missa o Sol,
E à tarde o rouxinol
Modula as suas penas,
Vimos pousar, apenas
Desperta o arrebol,
E o áureo girassol
Se ostenta em galas plenas.
Dá-nos banquete a folha,
E um tronco nos dá casa
Em qualquer sítio, à escolha...
E a ti, que o Génio abrasa
E o Não jamais se antolha
Negou-te Deus a asa!
Os Perfumes
Almas da pura flora,
Incensos de Judá,
Ninguém nos roubará
Ao toucador da Aurora.
Na terra ingrata chora
A for do resedá,
Que o vento esfolhará;
Mas nós, livres agora,
Semeamos neste espaço
Atómicos perfumes,
Que em misterioso laço
Caem no altar dos Numes...
E tu, cérebro e braço
Na podridão resumes.
Incensos de Judá,
Ninguém nos roubará
Ao toucador da Aurora.
Na terra ingrata chora
A for do resedá,
Que o vento esfolhará;
Mas nós, livres agora,
Semeamos neste espaço
Atómicos perfumes,
Que em misterioso laço
Caem no altar dos Numes...
E tu, cérebro e braço
Na podridão resumes.
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